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Perturbações do espectro do autismo (PEA): da compreensão à intervenção turma LS26-47.1

Apresentação

As perturbações do espectro do autismo (PEA) são desordens crónicas do neurodesenvolvimento que se caracterizam por dificuldades no estabelecimento de interações sociais recíprocas (na comunicação e na interação social), por interesses restritos e específicos e por comportamentos rígidos e repetitivos (DSM-5, 2014; Mineau et al., 2013). O número de crianças diagnosticadas com esta problemática tem vindo a aumentar, sendo, em Portugal, a prevalência estimada de aproximadamente 1 caso em cada 1000 crianças em idade escolar (Silva, 2011). Ainda que o autismo esteja geralmente presente desde o nascimento, e a maioria dos pais reconheça os primeiros sinais em idades precoces, o diagnóstico definitivo é feito, normalmente, depois dos três anos de idade. Embora não exista uma cura para o autismo, sabe-se que o diagnóstico e a intervenção atempados conseguem modificar o curso do desenvolvimento da patologia, melhorando claramente o seu prognóstico (Hewitt, 2006). Os alunos com PEA, em virtude das suas especificidades, requerem adaptações frequentes e estruturadas na organização dos contextos educativos, nos objetivos, nos conteúdos, nas estratégias e nas metodologias de aprendizagem. Como tal, a inclusão destes alunos nas escolas e agrupamentos, a par da organização de uma resposta educativa atempada e adequada, ainda constitui um grande repto para os professores, o que decorre, sobretudo, da falta de formação inicial, contínua e até especializada. Por conseguinte, é urgente prepará-los para uma intervenção ajustada junto desta população, através da atualização de conhecimentos, nomeadamente na esfera da individualização do ensino e das medidas de gestão curricular.

Destinatários

Professores dos Grupos 910, 920 e 930

Releva

Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores dos Grupos 910, 920 e 930. Mais se certifica que, para os efeitos previstos no artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores dos Grupos 910, 920 e 930.

Objetivos

- Identificar os principais sinais das PEA e os critérios de diagnóstico dos diferentes quadros clínicos; - Avaliar compreensivamente crianças e jovens com PEA, planificando uma intervenção ajustada às suas necessidades educativas específicas; - Criar ou adaptar materiais de intervenção para intervir junto desta população, delineando estratégias educativas eficazes; - Dominar estratégias facilitadoras, no âmbito da Transição para a Vida Pós-escolar, da integração profissional de alunos com PEA; - Fomentar a produção de instrumentos de avaliação diferenciados, visando uma maior eficácia das funções exercidas e a melhoria do desempenho dos alunos com PEA; - Aplicar/adaptar, em contexto real, os instrumentos de trabalho produzidos; - Refletir sobre as práticas educativas desenvolvidas com alunos com PEA, ressaltando a necessidade do desenvolvimento de um trabalho colaborativo entre todos os atores educativos, com especial enfoque nas famílias; - Disponibilizar informação/formação aos docentes, com o intuito de produzir conhecimentos e promover atitudes de mudança, tendo em vista a melhoria das práticas letivas.

Conteúdos

Módulo I - 3 horas Enquadramento legislativo da Educação Inclusiva - Decreto-lei n.º 54/2018: dos princípios orientadores às medidas de gestão curricular; - Pilares conceptuais do DL n.º 54/2018: Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e Abordagem Multinível. Módulo II - 3 horas Autismo e PEA - Conceitos de autismo e de PEA, historial e prevalência; - Etiologia das PEA: teorias psicogenéticas, biológicas e psicológicas; - Caracterização das várias PEA (Perturbação Autista, Perturbação de Rett, Perturbação Desintegrativa da Segunda Infância e Síndrome de Asperger). Módulo III – 4 horas Avaliação e diagnóstico - O diagnóstico como ponto de partida: modelo médico versus modelo biopsicossocial; - Aspetos teóricos inerentes ao diagnóstico diferencial e às comorbilidades; - Apresentação e caracterização de um caso de um aluno com PEA; - Medidas de diferenciação pedagógica adequadas ao caso apresentado; - Critérios de diagnóstico consignados no DSM-5; - Conceitos e procedimentos relacionados com a avaliação especializada: equipa pluridisciplinar; planificação da avaliação; perfis de desempenho de acordo com a faixa etária e a gravidade da problemática. Módulo IV – 4 horas Estratégias de intervenção nas PEA - Metodologias de intervenção nas PEA: vantagens e desvantagens de cada uma; - Intervenção precoce/atempada nas PEA; - Estratégias de intervenção adequadas à idade, ao nível de ensino e ao perfil individual; - Linhas de intervenção personalizadas e reforço de competências específicas (autonomia, gestão do stress, gestão do comportamento e relacionamento interpessoal); - Planificação centrada em atividades e planificação centrada nas competências a desenvolver; - Atividade de brainstorming sobre a importância de estabelecer protocolos na planificação das atividades; - Facilitadores e barreiras: o lugar das TIC. Módulo V – 4 horas As transições nas PEA - Transições a que estão sujeitos os alunos com PEA e dificuldades de adaptação à mudança; - Despiste vocacional de alunos com PEA; - Processo de transição: Planos Individuais de Transição (PIT), equipa de orientação, objetivos e avaliação. Módulo VI – 4 horas Avaliação das aprendizagens nas PEA - Avaliação autêntica e formativa; - Glossários, mapas conceituais e outros facilitadores; - Metodologias alternativas na avaliação das aprendizagens: portfólio e trabalho de projeto; - Adaptações no processo de avaliação (forma, conteúdo, meio, modalidade, fontes e instrumentos). Módulo VII- 3 horas - Apresentação de trabalhos.

Metodologias

Presencial: As sessões presenciais serão momentos de reflexão conjunta, a qual decorrerá não só dos conteúdos teóricos, de documentos e de materiais disponibilizados pela formadora, mas também dos relatos de práticas vivenciadas pelos professores nas suas turmas, da análise de situações específicas ou, ainda, do resultado da aplicação de materiais produzidos em trabalho autónomo. Serão utilizadas metodologias ativas que promovam a participação continuada dos formandos, valorizando-se a experiência pedagógica e a aplicabilidade dos conhecimentos adquiridos durante a ação de formação. É com base neste aparato metodológico que os diferentes grupos irão realizar os trabalhos que, posteriormente, apresentarão ao grande grupo, privilegiando-se sempre a reflexão, o debate e a discussão de ideias. Trabalho Autónomo: O trabalho autónomo será desenvolvido em contextos educativos, onde os formandos desenvolvem metodologias e práticas trabalhadas nas sessões presenciais, e concretizado através de um trabalho de natureza multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar, por forma a criar ambientes de aprendizagem inovadores e desafiantes.

Avaliação

A avaliação dos formandos decorre em conformidade com o Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, o n.º 2 do Artigo 46.º do ECD, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de janeiro, e a Carta Circular CCPFC – 3 – 2007 – setembro. A avaliação dos formandos incidirá sobre os seguintes critérios/parâmetros: Participação nas sessões (dinâmica da participação e qualidade das intervenções) e partilhas sobre o trabalho autónomo desenvolvido (30%). Produção de um trabalho final (em equipa), tendo como referência as estratégias e os conteúdos abordados na oficina (50%). Produção de uma reflexão final, a título individual (20%). A avaliação final, que terá em conta os referidos parâmetros/critérios de classificação, será traduzida numa classificação expressa na escala de 1 a 10 valores: insuficiente (1 a 4,9 valores), regular (5 a 6,4 valores), bom (6,5 a 7,9 valores), muito bom (8 a 8,9 valores) e excelente (9 a 10 valores).

Bibliografia

American Psychiatric Association. (2014). Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais: DSM-5. Lisboa: Climepsi Editores.Cabral, P. (2021). O Paradoxo do Cérebro, Memória, Autismo, Identidade. Lisboa: Temas e Debates.Hewitt, S. (2006). Compreender o autismo: estratégias para alunos com autismo nas escolas regulares. Porto: Porto editora.Mineau, S., Duquette, A., Elkouby, K., Jacques, C., Ménard, A., Nérette, P., Pelletier, S., & Thermidor, G. (2013). L'enfant autiste: Stratégies d'intervention psychoéducatives. Montréal: Editions du CHU Sainte-Justine.Silva, J. (2011). Perturbações do Espectro do Autismo: fatores associados à idade de diagnóstico. Artigo de revisão bibliográfica. Porto: Universidade do Porto.

Formador

Sandra Maria Domingues Gonçalves Correia

Cronograma

Sessão Data Horário Duração Tipo de sessão
1 21-09-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:30 3:30 Presencial
2 28-09-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:00 3:00 Presencial
3 12-10-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:00 3:00 Presencial
4 19-10-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:00 3:00 Presencial
5 26-10-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:00 3:00 Presencial
6 02-11-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:00 3:00 Presencial
7 09-11-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:00 3:00 Presencial
8 23-11-2026 (Segunda-feira) 18:00 - 21:30 3:30 Presencial
Início: 2026-09-21
Fim: 2026-11-23
Acreditação: CCPFC/ACC-138654/26
Modalidade: Oficina
Pessoal: Docente
Regime: Presencial
Duração: 50 h
Local: Escola Secundária de Loulé

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